quarta-feira, setembro 21, 2011

Programação de Lançamentos
21 setembro, quarta-feira, 19h
Universidade Estadual de Londrina UEL
Sala de Eventos do CCH Centro de Letras e Ciências Humanas
Rodovia Celso Garcia Cid | Pr 445 Km 380 | Campus Universitário
Londrina, PR
23 sexta-feira, 16h
Biblioteca Municipal de Londrina
Avenida Rio de Janeiro, 413
Londrina, PR
24 setembro, sábado, 17h
Restaurante Dona Menina
Rua Guararapes, 177
Londrina, PR

Edição fac-similar comentada do livro “Eulália Neutra”, do jornalista londrinense Antonio Vilela de Magalhães e do escritor paulista Arnaldo de Magalhães Di Giácomo será lançada este mês em Londrina
Muitas são as histórias que rondam a produção de um livro. Registrar estas histórias é também resgatar a memória de um tempo e de seus personagens. A edição fac-similar comentada do livro “Eulália Neutra”, escrito pelo jornalista londrinense Antônio Vilela de Magalhães e pelo escritor paulista Arnaldo Magalhães Di Giácomo, patrocinada pela PROMIC, com lançamentos marcados a partir do dia 21 de setembro, tem este objetivo. O livro trata-se de um poema longo escrito a quatro mãos, em 1952, quando os dois autores moravam em São Paulo. Além do poema, o livro conta com ilustrações feitas pelo artista plástico Darcy Penteado. A tiragem da edição é de 2 mil exemplares.
Projeto coordenado por Terezinha Lima Vilela de Magalhães, viúva de Vilela, e organizado pela fotógrafa londrinense Fernanda Magalhães, filha do autor, a edição refaz trajetória de produção da obra através de texto assinado pelo escritor paulista Hernani Donato, amigo dos autores, e também de texto de apresentação do poeta e crítico londrinense Marcos Losnak, que contextualiza a obra inserida na literatura brasileira dos anos 50. O livro conta ainda com fotografias da época que foram reproduzidas dos álbuns do acervo da família de Antônio Vilela de Magalhães e cartas trocadas entre os amigos e Vilela. O livro teve coordenação editorial da escritora Karen Debértolis e o projeto gráfico foi da empresa Visualitá.
Antônio Vilela de Magalhães era jornalista e uma personalidade atuante na cidade de Londrina. Trabalhou no jornal Folha de Londrina, sendo responsável por muito anos pela coluna Ronda pela Cidade, foi correspondente do jornal O Estado de São Paulo, produziu os jornais Newsy e Sequência, além de criar o Boletim Notícia da Assessoria de Relações Universitárias (ARU), atual COM, da Universidade Estadual de Londrina. 
O livro
Eulália Neutra, que consiste em um poema homônimo longo, foi publicado originalmente em 1952 por meio de impressão artesanal com tiragem de 25 exemplares. De autoria de Vilela e Di Giácomo, o poema tinha previsão para ser publicado em uma revista a qual seria organizada pelo grupo de amigos que morava e frequentava a casa da Rua Pelotas, 64, no centro de São Paulo.
A república que pertencia à Vilela, que trabalhava à época na Editora Melhoramentos, reunia com constância jovens artista e jornalistas. Segundo Donato, como a revista não se concretizou, o dinheiro arrecadado para produzi-la foi revertido na edição do livro. O artista plástico Darcy Penteado, ficou responsável pelas ilustrações, capas e arte do livro.
De acordo com Marcos Losnak , no período em que o livro  “Eulália Neutra” foi publicado, a literatura brasileira vivia o florescimento da Terceira Geração do Modernismo, conhecida como Geração de 45, em que a prosa passava a adquirir um tom mais intimista de caráter psicológico, temática regionalista dava lugar ao aprimoramento da linguagem, como nos textos de João Guimarães Rosa, e na poesia, o apuro formal tornava-se extremamente acentuado.
Antonio Vilela e Arnaldo Magalhães estavam atentos a todo esse processo da literatura brasileira, mas por uma questão preferencial adotaram o tom poético da Primeira Geração do Modernismo na estrutura da “Eulália Neutra”. A liberdade formal e o humor irônico do poema podem ser remetidos às mesmas características das criações em verso de Oswald de Andrade e Manoel Bandeira”, comenta Losnak na apresentação do livro.
O livro original foi distribuído entre os amigos e integrou, ao longo de anos, a estante da casa da família Vilela de Magalhães. “Eu sempre folheava este livro que era uma lembrança muito forte do meu pai. Com o passar do tempo, a vontade de recontar esta história ficou mais presente e, então, resolvi organizar a edição fac-similar”, comenta Fernanda Magalhães, “é também uma forma de resgatar a história de Londrina pois meu pai foi uma personalidade importante e atuante na cidade”.

Biografias dos autores e do ilustrador

Antonio Vilela de Magalhães
Nasceu em 30 de maio de 1925, em Santo Antônio da Platina, interior do Paraná. Na década de 50, transferiu-se para São Paulo, onde cursou a Escola de Arte Dramática (EAD) e trabalhou na Editora Melhoramentos. De volta ao Paraná, em Londrina, foi correspondente do jornal O Estado de São Paulo e jornalista da Folha de Londrina, assinando a coluna “Ronda pela Cidade”; editou os jornais Newsy e Sequência e trabalhou na Assessoria de Relações Universitárias, da Universidade Estadual de Londrina, onde criou o Boletim Notícia, órgão oficial da instituição. Montou a Livraria Alfa e, juntamente com Roberto Koln, criou o Grupo Permanente de Teatro (GPT), atuando em várias montagens, como os monólogos "O Homem com a flor na boca" de Luigi Pirandello, e "Dos malefícios do tabaco" de Anton Tchekov. Faleceu em 17 de setembro de 1985.
Arnaldo Magalhães de Giácomo
Nasceu em 26 de janeiro de 1928, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Transferiu-se para a capital paulista, onde se formou em Filosofia e foi professor de Língua Portuguesa e História do Brasil. Trabalhou na Editora Melhoramentos editando publicações para o público juvenil. O livro “Villa-Lobos: a alma sonora do Brasil” rendeu-lhe o prêmio Jabuti na categoria Literatura Infantil, em 1960. Após sua morte em 20 de maio de 1977, foi sagrado membro da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.
Darcy Penteado
Artista plástico de referência no cenário brasileiro das artes visuais, nasceu em São Roque, interior de São Paulo, em 1926. Também atuou como cenógrafo e figurinista. Estreou no teatro em 1952 produzindo máscaras para a peça “Antígona”, de Sófocles, dirigida por Adolfo Celi no Teatro de Brasileiro de Comédia, em São Paulo. Trabalhou com nomes expressivos do teatro nacional, como Antunes Filho e Antonio Abujamra. Entre os textos que escreveu, destacam-se a peça “A Engrenagem” e a novela “A Meta”. Faleceu em 2 de dezembro de 1987.

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